ECONOMIA

A inteligência artificial está ficando mais autônoma, e isso pode mudar a internet

Nova geração de sistemas de IA não apenas responde perguntas: ela pode planejar tarefas, utilizar ferramentas e executar etapas para chegar a um objetivo.

4 min de leitura Publicado em 20 de setembro de 2026
Redação Nexo
Por Redação Nexo Redator do portal
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A inteligência artificial passou, em poucos anos, de uma tecnologia restrita a laboratórios e grandes empresas para uma ferramenta utilizada diariamente por milhões de pessoas.

Agora, uma nova etapa começa a ganhar espaço: os chamados agentes de inteligência artificial.

Diferentemente de um chatbot tradicional, que normalmente espera uma pergunta e responde ao usuário, esses sistemas podem ser projetados para dividir uma tarefa em várias etapas e utilizar diferentes ferramentas durante o processo.

De responder para executar

Imagine que uma pessoa queira organizar uma viagem.

Um sistema tradicional poderia responder perguntas sobre destinos, hotéis e transporte.

Um agente de IA pode, dependendo das ferramentas e permissões disponíveis, pesquisar opções, comparar informações, montar um roteiro e preparar uma lista organizada para o usuário.

A diferença está justamente na capacidade de trabalhar com uma sequência de tarefas em vez de apenas produzir uma resposta.

A IA começa a utilizar ferramentas

Para realizar tarefas mais complexas, os agentes podem ter acesso a ferramentas externas.

Isso pode incluir navegadores, bancos de dados, calendários, sistemas corporativos e aplicativos.

Em vez de simplesmente gerar texto, o sistema passa a interagir com outros softwares.

Essa característica abre possibilidades para empresas automatizarem processos que antes exigiam diversas etapas manuais.

Empresas começam a testar novos modelos de trabalho

Uma das áreas que pode sentir essa transformação é o ambiente corporativo.

Atividades repetitivas, como organizar informações, preparar relatórios, classificar documentos ou acompanhar determinadas tarefas, podem ser parcialmente automatizadas.

O objetivo não necessariamente é eliminar a participação humana, mas permitir que profissionais dediquem mais tempo a atividades que exigem análise, criatividade e tomada de decisão.

O impacto, entretanto, pode variar bastante de acordo com a profissão e com o tipo de tarefa realizada.

Quanto mais autonomia, maior a necessidade de controle

A capacidade de executar ações também cria novos desafios.

Uma IA que apenas produz uma resposta pode apresentar um erro factual.

Um sistema com acesso a ferramentas pode, dependendo de suas permissões, realizar uma ação incorreta.

Por isso, mecanismos de confirmação, limites de acesso, registros de atividades e supervisão humana se tornam importantes quando a inteligência artificial recebe autorização para agir.

A questão deixa de ser apenas “a IA consegue fazer isso?” e passa a incluir uma pergunta ainda mais importante:

“Em quais situações devemos permitir que ela faça isso sozinha?”

A internet pode ganhar uma nova camada

Se agentes de IA se tornarem comuns, a forma como as pessoas utilizam a internet também pode mudar.

Hoje, normalmente acessamos um site, procuramos uma informação e realizamos uma ação manualmente.

No futuro, parte desse processo poderá acontecer por meio de agentes que interagem com diferentes serviços em nosso nome.

Isso pode alterar a maneira como empresas desenvolvem sites e aplicativos, já que seus sistemas precisarão ser preparados não apenas para usuários humanos, mas também para softwares capazes de realizar tarefas automaticamente.

A disputa agora é pela utilidade

A evolução da IA também está mudando a competição entre empresas de tecnologia.

Durante a primeira fase da popularização dos chatbots, a principal preocupação era quem conseguia produzir respostas mais rápidas e naturais.

Agora, a atenção está cada vez mais voltada para a capacidade de resolver problemas completos.

Uma IA que consegue compreender uma solicitação, planejar etapas, utilizar ferramentas e apresentar um resultado final pode ter uma aplicação muito mais ampla do que um sistema limitado a conversas.

O que vem pela frente?

Ainda existem limitações importantes.

Sistemas de IA podem cometer erros, interpretar comandos de maneira equivocada e produzir resultados incorretos.

Por isso, a expansão dos agentes deve vir acompanhada de mecanismos de segurança e supervisão.

Mesmo assim, a mudança representa uma nova fase no desenvolvimento da tecnologia.

A inteligência artificial começou como uma ferramenta capaz de responder.

Depois passou a criar textos, imagens, vídeos e códigos.

Agora, a próxima transformação pode ser fazer com que ela consiga agir.

E essa mudança pode ter um impacto tão grande na internet quanto a própria popularização dos smartphones.